|
3 de Janeiro de 2008
Quatro em dez consumidores Portugueses pensam que haverá uma recessão no próximo ano, com mais de cinquenta por cento a acreditarem que isso terá impacto no desemprego, taxas de juro e inflação.
Um em cada quatro consumidores Portugueses refere que fica sem dinheiro disponível depois de cobrir as suas despesas essenciais.
Quase um em cada três consumidores do globo prepara-se para uma recessão a nível mundial nos próximos doze meses, com mais de cinquenta por cento da população muito preocupada com o desemprego e a inflação, de acordo com o último inquérito da Nielsen sobre a confiança dos consumidores realizado on-line a nível mundial.
“A preocupação crescente e generalizada acerca da crise sub prime dos Estados Unidos que continua a afectar os mercados financeiros na Europa e na Ásia, a subida do preço do petróleo e a expectativa generalizada de uma recessão mundial nos próximos doze meses levaram a uma queda da confiança dos consumidores nos últimos seis meses em vinte e um dos quarenta e oito países cobertos pelo nosso inquérito,” afirmou Patrick Dodd, Presidente da Nielsen Europe.
Na América do Norte, Europa e EEMEA, um em cada três consumidores acredita que se está a preparar uma recessão mundial para 2008.
Os consumidores da América Latina disseram que ficariam muito preocupados com o desemprego e a subida das taxas de juro se a sua região fosse atingida por uma recessão mundial, enquanto países da EEMEA estão mais preocupados com a inflação e a estabilidade política.
Não é de surpreender que, mais do que qualquer outra região, a América do Norte receia outra quebra nos preços das propriedades caso haja uma recessão mundial.
A confiança dos consumidores a nível global desceu três pontos, de 97 para 94, nos últimos seis meses, de Maio a Novembro, de acordo com o Índice Global da Nielsen sobre Confiança do Consumidor, realizado semestralmente.
No último inquérito sobre a confiança dos consumidores realizado a nível mundial a quarenta e oito países, a Noruega, um país rico em petróleo, permaneceu a nação mais optimista do mundo com a alta pontuação de 135 no Índice dos Consumidores (+2 nos últimos seis meses), seguida pela Índia com 133 (- 3 pontos nos últimos seis meses).
O Brasil, em fase de expansão, registou o maior salto na confiança dos consumidores nos últimos seis meses com 13 pontos percentuais de aumento, de 90 para 103 pontos. Os Brasileiros estão claramente a experimentar um forte período de crescimento económico consistente que já não tinham há muitos anos, pelo que têm muita razão em estar optimistas. A sua moeda, o real, valorizou 21% nos últimos doze meses, as taxas de juro estão a descer, o crédito está amplamente disponível, a indústria está no seu ponto mais alto desde há anos e a inflação está estável. A forte procura e os altos preços das exportações brasileiras em determinados produtos estão a influenciar o crescimento interno e os Brasileiros podem dispor de um estilo de vida que não tinham antes,” disse Patrick Dodd.
De todas as regiões do mundo, a América do Norte permaneceu a mais optimista nos últimos seis meses, enquanto a Europa continua a ser a região do mundo menos confiante no que respeita ao crescimento interno e à confiança dos consumidores.
A confiança dos consumidores manteve-se firme e inalterada em Hong-Kong, África do Sul, Letónia, Alemanha e Turquia. Na Europa, desceu na Dinamarca, Irlanda, Espanha, Áustria, Bélgica e Itália.
De todos os mercados do mundo, foi em Itália que a confiança dos consumidores foi mais atingida ao descer abruptamente onze pontos nos últimos seis meses. A confiança dos consumidores também desceu abruptamente nove pontos no Japão e oito pontos na China e na Estónia.
“Têm sido seis meses muito difíceis para a Itália – económica, política e socialmente – e os Italianos não esperam grandes melhoras para o futuro,” disse Patrick Dodd.
A inflação é uma preocupação crescente para os Italianos que viram os preços de bens essenciais como o leite, o pão, a manteiga e a pasta subirem mais de 9 por cento nos últimos doze meses. Mais ainda, prevê-se que a subida do custo de vida se traduza num acréscimo de mais de 1000 Euros por lar em 2008. O declínio da economia Italiana nos últimos anos originou uma nova classe social conhecida por “os novos pobres”, visto muitas famílias se verem forçadas a socorrer-se do crédito pela primeira vez na história recente do país.
Segundo a Nielsen, a nova classe pobre de Itália sobrevive com um rendimento mensal per capita de 535 Euros por lar, quando a média nacional é de 1335 Euros per capita/lar. “Há um grande número de famílias que se vê forçado a viver com menos sessenta por cento de rendimento que a média nacional,” afirmou Patrick Dodd.
Numa outra indicação de restrição económica em todo o mundo, a nível mundial um em cada oito (13%) dos consumidores disse que “não lhe sobrava dinheiro” depois de pagar as despesas essenciais.
Globalmente, 47% dos consumidores afirmaram que “agora não é a melhor altura “ para comprar as coisas que querem e necessitam nos próximos doze meses, revelando-se em toda a parte do mundo um controlo nos gastos dos consumidores.
“E enquanto alguns consumidores afirmam que agora não é a melhor altura para comprar as coisas mais importantes, para muitos Europeus isso deve-se simplesmente ao facto de não terem dinheiro para isso,” disse Patrick Dodd. Portugueses (26%), Alemães (19%), Belgas (19%) e Holandeses (19%) estão entre os consumidores mais afectados por este problema.
E nós por cá?
Portugal continua na cauda da Europa no que diz respeito à confiança dos consumidores, segundo o inquérito on-line realizado semestralmente a nível global pela Nielsen. Com um índice de 56 pontos, bem afastado da média Europeia que se situa nos 89 pontos, Portugal é o país da UE com uma pontuação mais baixa seguindo-se-lhe a Hungria (69), a Alemanha (78), França (80), Itália (80) e a Grécia (82), que completam a lista dos últimos países (Por favor, visualizar gráfico 1).
Se a preocupação crescente e generalizada acerca da crise sub prime dos Estados Unidos, que continua a afectar os mercados financeiros na Europa e na Ásia, e a subida do preço do petróleo têm originado uma onda de notícias e consequente expectativa de uma recessão mundial, os Portugueses também se apresentaram como um dos países mais negativos quando questionados sobre a possibilidade de enfrentarmos uma recessão nos próximos 12 meses. Com efeito, face a uma média europeia de 30%, quatro em dez consumidores Portugueses (40%) pensam que haverá uma recessão no próximo ano, sendo este sentimento também bem evidente em países como Itália (45%), Espanha (44%), Suécia (43%) e França (42%).
O desemprego tem estado sempre no topo das principais preocupações dos Portugueses desde o início da realização deste inquérito on-line pela Nielsen, e se 43% dos nossos consumidores já referem que as perspectivas actuais face ao emprego são más, esse valor torna-se ainda mais preocupante quando confrontados com a possibilidade de enfrentarmos uma recessão nos próximos 12 meses, já que 76% dos consumidores Portugueses o refere como uma das suas maiores preocupações se esse cenário se verificar, tratando-se de uma taxa de resposta bem acima da média europeia (52%). Gregos (64%), Suíços (64%) e Alemães (62%) estão entre os consumidores que registaram maior receio de um impacto negativo ao nível do desemprego que poderia advir de uma possível recessão.
Além do desemprego (76%), a possibilidade de uma eventual recessão na economia nacional traz receios aos Portugueses no que concerne ao impacto que poderá trazer também em questões como a subida das taxas de juro (54%) e um possível aumento da inflação (52%).
“Se pensarmos que um em cada quatro Portugueses refere que fica sem dinheiro disponível depois de cobrir as suas despesas essenciais, não é de estranhar que essas sejam as maiores preocupações por si reveladas”, refere Francisco Neto de Carvalho, Managing Director da Nielsen em Portugal. Um dos aspectos mais visíveis, e preocupantes, no comparativo com outros países é o facto de Portugal ser das nações cujos consumidores mais referem ficar com a carteira vazia (26%) depois dos seus gastos essenciais, bem acima da média europeia (16%) e, por exemplo, dos nossos vizinhos Espanhóis, um dos países na linha da frente, com apenas 7% a referirem essa condição.
Sobre o Inquérito
O último inquérito, realizado de Outubro a Novembro, inquiriu 26 312 utilizadores de internet em 48 mercados da Europa, Ásia-Pacífico, América do Norte e Médio Oriente. O Inquérito online da Nielsen sobre a Confiança e Opinião do Consumidor é o maior do seu género realizado duas vezes ao ano, cujo objectivo é medir com exactidão os níveis de confiança, hábitos/intenções de consumo e as actuais maiores preocupações dos consumidores em todo o mundo. O Índice Nielsen sobre a Confiança do Consumidor baseia-se na confiança dos consumidores em relação ao mercado de trabalho, ao estado das suas finanças pessoais e à sua disponibilidade para gastos.
Mercados Cobertos: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, China, Coreia, Dinamarca, EAU, Egipto, Espanha, Estados Unidos, Estónia, Filipinas, Finlândia, Formosa, França, Grécia, Holanda, Hong-Kong, Hungria, Índia, Indonésia, Irlanda, Itália, Japão, Letónia, Lituânia, Malásia, México, Nova Zelândia, Noruega, Paquistão, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Rússia, Singapura, Suécia, Suíça, Tailândia, Turquia, e Vietname.
Sobre a Nielsen
The Nielsen Company é uma empresa de informação e media de âmbito global, líder mundial em informação de marketing (ACNielsen), informação de media (Nielsen Media Research), informação online (NetRatings e BuzzMetrics), medições na área dos telemóveis, trade shows e publicações sobre negócios (Billboard, The Holywood Reporter, Adwek). Esta empresa privada opera em mais de 100 países e tem os seus headquarters em Haarlem, na Holanda, e em Nova Iorque, Estados Unidos. Para mais informações, visite por favor www.nielsen.com.
Gráfico 1:
Voltar ao início
|